Open finance é o modelo regulatório que permite o compartilhamento padronizado de dados financeiros (transações, crédito, investimentos e seguros) entre instituições autorizadas pelo Banco Central, mediante consentimento do titular, criando uma base comum sobre a qual PSPs e fintechs B2B podem construir novos produtos, automatizar operações e disputar dados que antes pertenciam exclusivamente aos grandes bancos.
A maioria dos PSPs enquadra o open finance como pauta de compliance. Esse enquadramento está errado.
E vai custar caro.
Em 2025, a iniciação de pagamentos via open finance movimentou R$ 15,3 bilhões no Brasil, segundo dados do Banco Central. Em 2024, esse número era R$ 3,2 bilhões. Crescimento de 4,8x em doze meses. O setor registrou 4 bilhões de chamadas semanais de API ao longo do ano, e o total de instituições habilitadas como Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs) foi de 27 no final de 2023 para 60 em 2025. Plataforma em produção, não tendência de relatório. E a maioria dos PSPs ainda não construiu nada sobre ela além do que o Banco Central exigiu.
O que mudou para operações B2B
A narrativa inicial do open finance focou no consumidor pessoa física: portabilidade de dados bancários, crédito mais barato, comparação de produtos. Essa leitura deixou de fora exatamente o que interessa para quem opera pagamentos B2B.
No segmento corporativo, o open finance criou três mudanças que já estão em produção. Não como projeto-piloto, não como "análise em andamento". Estão ativas, sendo usadas por quem se moveu primeiro.
A primeira: acesso a dados financeiros de PJs sem intermediação bancária.
Antes do open finance, entender o comportamento financeiro de um cliente corporativo dependia de relacionamento bancário, análise de balanço retroativa ou dados de bureau. Que, por natureza, olham para o passado. Hoje, com consentimento, é possível acessar histórico transacional, recebíveis em aberto, fluxo de caixa corrente e saldos em tempo real. Para quem opera antecipação de recebíveis, crédito B2B ou capital de giro, esse dado muda o modelo de precificação de risco de forma que nenhuma planilha de balanço consegue replicar.
A segunda: iniciação de pagamento como produto, não canal alternativo.
Um ITP autorizado pode disparar Pix, agendamentos e débitos diretamente da conta do pagador, sem o fluxo tradicional de gateway e adquirente. Para fintechs B2B que fazem cobrança recorrente, liquidação entre partes ou gestão de pagamentos a fornecedores, isso é um trilho diferente, com custo estrutural sem MDR de cartão no meio.
A terceira: portabilidade de crédito sobre dados compartilhados.
Prevista para operar em 2026, permite que uma empresa mude de instituição financeira levando o histórico transacional via open finance. Para quem distribui crédito, isso muda a equação de retenção e de aquisição simultaneamente.
A maioria dos PSPs está trabalhando na primeira, ignorando a segunda e nem sabe que a terceira existe.
Quando o dado muda a conta
Para quem opera antecipação de recebíveis ou crédito B2B, o impacto do open finance não é conceitual. É uma linha no modelo de precificação.
Imagine um PSP que antecipa recebíveis de 200 clientes corporativos com volume médio de R$ 500 mil por cliente, R$ 100M em carteira. Sem open finance, o modelo de risco usa dados de bureau, faturamento declarado e relacionamento histórico. Com consentimento e dado de open finance, o mesmo PSP acessa movimentação bancária em tempo real, concentração de recebíveis por adquirente, saldo médio e sazonalidade.
A diferença não é só qualitativa.
Se o spread médio de antecipação é 1,8% ao mês e dados de open finance permitem reduzir o prêmio de risco para bons pagadores em 0,4 ponto percentual, a empresa que faz essa oferta consegue taxa de 1,4%. Competitivo o suficiente para ganhar o cliente que o concorrente precifica a 1,8% no escuro.
Sobre R$ 100M em carteira: 0,4% ao mês = R$ 400 mil de spread recuperado. Por ano: R$ 4,8M. Esse dinheiro pode virar competitividade de taxa para ganhar volume, ou virar margem. Mas não aparece sozinho. Aparece quando você usa o dado.
A gente tem visto PSPs discutirem open finance em reunião de estratégia como se fosse hipótese. O R$ 15,3 bilhões de 2025 não é hipótese.
Open finance pagamentos: novo trilho B2B
A iniciação de transação de pagamento (ITP) é uma funcionalidade distinta do simples compartilhamento de dados. Um ITP executa transações na conta do cliente. Não lê. Executa.
Para o universo de cobrança B2B, isso abre algo que não existia antes com essa estrutura.
Uma fintech B2B que faz billing mensal pode, com consentimento ativo do cliente, debitar diretamente da conta bancária via open finance. Sem MDR de cartão de crédito (que varia de 1,5% a 3,5% dependendo do produto, da bandeira e do adquirente). Sem a dinâmica de chargeback do cartão. Sem dependência do ciclo de liquidação do adquirente.
Para uma plataforma SaaS ou marketplace B2B com R$ 18M em receita recorrente mensal, a diferença de custo entre MDR médio de cartão e taxa de ITP pode variar de R$ 270 mil a R$ 630 mil por mês, dependendo do mix atual e da estrutura de MDR negociada. Custo que não aparece em relatório de anomalia nenhum — porque ninguém calcula quando ninguém compara as alternativas lado a lado.
Aliás, aqui vale uma correção de rota: não estou dizendo que ITP substitui cartão. Para muitos modelos B2B, especialmente os que têm parcelamento e precisam do float do comprador, o cartão vai continuar sendo o trilho principal. O que estou dizendo é que a maioria dos PSPs nem fez essa avaliação por produto, por perfil de cliente, por canal. Tratar ITP como "outra opção de pagamento" sem a conta aberta é deixar dinheiro sobre a mesa.
Pagamentos a fornecedores são outro ponto. A cobrança B2B tradicional tem custo operacional que não aparece no MDR: boleto com vencimento manual, transferência que o CFO precisa aprovar depois de exportar relatório, cartão corporativo que reconcilia no mês seguinte. Uma empresa que processa 750 pagamentos a fornecedores por mês gasta entre 3 e 5 horas de time financeiro por ciclo em aprovações sequenciais e conciliação manual. Com open finance integrado ao ERP, o fluxo acontece dentro do sistema, com rastreabilidade de ponta a ponta, sem exportar planilha para cruzar com extrato.
Pix B2B não resolve automação sozinho. O Pix traz o dinheiro rápido. O open finance traz visibilidade e controle sobre o fluxo completo. São problemas diferentes com soluções diferentes. Confundi-los é o motivo pelo qual muita empresa acha que "já resolveu pagamentos" porque ativou o Pix, mas o financeiro ainda fecha o mês com 40 horas de conciliação manual.
BaaS: norma que filtra o mercado
O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional publicaram as regras definitivas de BaaS em 2025, com prazo de adequação até o final de 2026. A norma determina que apenas instituições financeiras autorizadas podem fornecer BaaS. Exige governança, controles de risco, segurança cibernética e contratos com responsabilidades claras entre provedores e tomadores de serviço.
Tem duas leituras possíveis aqui, e a maioria do mercado só está fazendo uma.
A leitura óbvia é de custo: quem não estava estruturado vai precisar se adequar. Capital mínimo, auditoria, reorganização contratual. Real, verdadeiro, vai custar dinheiro.
A leitura que poucos fazem é de posicionamento. A "barra mais alta" que o Banco Central impôs é exatamente o filtro que separa operações com estrutura de operações oportunistas. Para PSPs com governança consolidada, a norma funciona como barreira de entrada: torna mais caro para novos entrantes competir no mesmo espaço.
O open finance e o BaaS são complementares. BaaS fornece a licença e a estrutura regulatória. Open finance fornece o dado e o trilho de pagamento. Uma fintech B2B que opera sobre BaaS e usa open finance para acesso a dados e iniciação de pagamentos tem vantagem real sobre quem construiu produto sem essas camadas.
Isso não garante sucesso. Mas define quem vai conseguir competir no médio prazo.
Embedded finance: produto invisível ao cliente
O embedded finance (serviços financeiros embutidos na jornada operacional de uma empresa) foi destravado no Brasil pela combinação de open finance, BaaS e Pix. Resultado prático: um ERP de PME, uma plataforma de gestão de frotas ou um sistema de supply chain pode oferecer crédito, antecipação e pagamento dentro do próprio produto, sem ser uma instituição financeira.
Para PSPs e fintechs B2B, isso cria dois movimentos simultâneos e opostos.
O movimento de distribuição: ser a plataforma por trás de produtos embedded de terceiros. Um PSP com licença, API robusta e capacidade de processamento pode ser o motor invisível de dezenas de plataformas diferentes que embarcam pagamento e crédito no próprio produto. Esse é o modelo de BaaS como canal de distribuição, onde o volume escala sem que o PSP precise escalar time de vendas na mesma proporção.
O movimento de verticalização: integrar a própria operação dentro dos ERPs e plataformas que os clientes já usam. Em vez de exigir que o cliente saia do sistema de gestão para acessar a plataforma financeira, a fintech B2B embarca dentro do workflow existente. A conciliação acontece automática. A antecipação é oferecida no momento da emissão da nota. O pagamento a fornecedor é disparado diretamente da aprovação no ERP.
Segundo dados da Zoop (2025), o embedded finance movimenta cerca de R$ 23 bilhões por ano no Brasil e US$ 148 bilhões no mundo. A expansão se concentra em plataformas com base de clientes corporativos e dados comportamentais, o perfil exato de PSPs B2B bem posicionados. Quem não tem produto para os dois movimentos está cedendo espaço para quem tem.
Tokenização: recebíveis encontram mercado de capitais
A tokenização de recebíveis é a conversão de direitos creditórios (duplicatas, recebíveis de cartão, CRIs, CRAs) em tokens digitais negociáveis. O open finance entra aqui porque fornece o dado que dá confiabilidade ao ativo tokenizado: histórico transacional verificável, concentração de recebíveis por pagador, comportamento de pagamento em tempo real.
Para PSPs que operam antecipação ou estruturam veículos de crédito, isso abre um modelo de funding diferente do FIDC tradicional. Um PSP que tem R$ 50M em carteira de recebíveis pode tokenizar esses ativos e acessar investidores diretamente, com dado de open finance como camada de transparência que reduz o custo de diligência para o investidor, e por consequência o custo de captação para o PSP.
A plataforma ainda está em construção. O Drex avança mais devagar do que o mercado esperava. Quem prometia "tokenização total até 2024" foi se ajustando à realidade do cronograma do Banco Central. Mas tokenização via blockchain privada já está operacional em algumas verticais. O ponto é que o dado de open finance como âncora de confiança para o ativo tokenizado é o elo que conecta a operação de pagamentos com o mercado de capitais. PSPs que já trabalham com antecipação têm a carteira. O que falta é a estrutura de dado para viabilizar o ativo.
O que ainda não foi ajustado
Aqui vale ser direto, porque a maioria dos artigos sobre open finance lista oportunidades e não diz o que está travando.
O dado de PJ ainda gera fricção no consentimento. A jornada de consentimento para pessoa jurídica tem mais etapas e mais barreiras do que a de pessoa física. Um contador, um sócio com poderes limitados, uma empresa com múltiplas alçadas de aprovação: tudo isso cria abandono no fluxo de consentimento. PSPs que quiserem usar dados de open finance dos seus clientes corporativos precisam investir em UX de consentimento B2B. Não no produto em si. Na jornada de autorização. Sem consentimento, não há dado. E a maioria está esperando o cliente dar consentimento espontaneamente.
Dado disponível sem modelo analítico não gera receita. A API aberta não é o mesmo que produto sobre os dados. PSPs que recebem histórico transacional via open finance precisam de camada analítica para transformar dado em oferta: score de crédito proprietário, precificação de risco individual, detecção de oportunidade de antecipação baseada em fluxo de caixa projetado. Sem essa camada, o dado entra e sai sem criar valor. E construir essa camada não é trivial. Exige modelo de dados, produto de crédito e, dependendo do volume, estrutura regulatória para operar.
Conciliação financeira continua manual na maioria das operações. Com open finance, a conciliação entre banco, adquirente e ERP pode ser automática em tempo real. A maioria das empresas ainda faz isso com exportação de extrato e PROCV. PSPs que oferecerem conciliação embarcada na própria plataforma, cruzando dado bancário via open finance com dado do adquirente e do ERP do cliente, criam um produto de retenção que é difícil de abandonar. O cliente que concilia dentro da sua plataforma não sai, porque o custo de trocar é reconstruir todo o histórico de conciliação em outro lugar.
ITP como produto de cobrança B2B ainda não foi precificado pela maioria. A maioria dos PSPs trata boleto, Pix e cartão como canais independentes. A iniciação de pagamento via open finance é um quarto trilho, com custos, limitações e casos de uso diferentes. Não integrá-lo como alternativa avaliada por vertical e por perfil de cliente é deixar a decisão para o concorrente que fizer essa análise primeiro.
Impacto no modelo de negócio
Para um PSP com R$ 200M em volume processado por mês no segmento B2B, o open finance representa oportunidades quantificáveis em três linhas, sem crescer volume.
Redução de inadimplência em crédito: se dados de open finance permitem reduzir inadimplência de 2,1% para 1,4% via precificação melhor, sobre uma carteira de R$ 30M a diferença é R$ 210 mil por mês. R$ 2,5M por ano. Esse é o custo de continuar precificando no escuro.
Receita nova em iniciação de pagamento: se 15% do volume de cobrança migra para ITP com take rate de 0,3% (vs MDR médio de 1,8% no cartão que o PSP repassava ao cliente), a receita incremental sobre R$ 30M migrados é R$ 90 mil por mês. O cliente fica, porque o custo dele caiu. O PSP também ganha, porque passou a ter uma linha de receita que antes era custo do cliente e não aparecia no seu P&L.
Retenção via conciliação embarcada: clientes que fazem conciliação dentro da plataforma do PSP têm churn menor por conveniência operacional. Se o PSP tem 480 clientes B2B com ticket médio de R$ 7.800/mês em receita, reduzir churn de 3% para 1,5% preserva R$ 56 mil/mês em receita recorrente.
Soma: R$ 356 mil por mês em impacto direto. Sem crescer volume, sem abrir novo mercado. Só ajustando o que já existe com dado que já está disponível.
O que a Barte vê
Na Barte, o open finance entra como dado que complementa a visão de liquidação e conciliação. Quando um cliente compartilha consentimento, a plataforma cruza automaticamente o fluxo de caixa bancário com os recebíveis de adquirente e o calendário de liquidação, mostrando na mesma tela onde está cada real: no banco, em trânsito no adquirente, em float de parcelado ou em recebível futuro.
Essa visão é o que torna decisões de antecipação ou capital de giro baseadas em dado real, não em estimativa. O custo de capital de giro a 1,5% ao mês sobre R$ 5M é R$ 75 mil. Sobre um recebível que liquida em D+2 com dado verificável, o custo efetivo pode ser R$ 5 mil. A diferença entre operar com visibilidade e operar no escuro raramente aparece em um número tão direto assim.
A pergunta que você faz para o seu PSP ou para a sua própria operação: se um cliente PJ der consentimento no open finance agora, em quanto tempo tenho o dado de fluxo de caixa bancário, recebíveis de adquirente e faturamento consolidado numa tela? E o que faço com esse dado depois? Se a resposta for "exporto de cada lugar e cruzo no Excel", o open finance ainda não entrou de verdade na sua operação.
O que fazer agora
Mapeie os consentimentos ativos. Quantos dos seus clientes PJ já deram consentimento de dados? Qual dado está sendo compartilhado? Essa é a base de qualquer produto de open finance. Sem esse mapeamento, não há nada para construir.
Avalie sua habilitação como ITP. Se sua operação inclui cobrança recorrente, pagamentos fornecedores ou liquidação entre partes, a habilitação como Iniciador de Transação de Pagamento pode abrir um trilho novo. O processo tem requisitos técnicos e regulatórios. Avalie o custo-benefício contra o volume que você processaria via ITP. Não assuma que não vale antes de fazer a conta.
Construa a camada analítica sobre dados de open finance. Dado sem modelo não gera receita. Se você acessa histórico transacional via open finance, precisa de um motor que transforma esse dado em oferta: taxa de antecipação, limite de crédito ou condição diferenciada por perfil de risco real.
Integre conciliação financeira como retenção. A conciliação automática entre banco, adquirente e ERP via open finance funciona como argumento de permanência muito mais do que como funcionalidade. Clientes que resolvem conciliação dentro da sua plataforma não saem.
Monitore a portabilidade de crédito. A portabilidade prevista para 2026 vai mudar a dinâmica de retenção de clientes que têm crédito contratado. PSPs que distribuem crédito precisam de estratégia de dado e de relacionamento antes que o cliente perceba que pode conseguir taxa melhor levando o histórico para outro lugar.
Open finance e o crédito B2B
O crédito B2B no Brasil tem um problema estrutural antigo: a distância entre o risco real de uma empresa e o risco percebido por quem empresta sem dado suficiente.
Uma PME com R$ 3M de faturamento mensal, fluxo de caixa positivo e recebíveis distribuídos em vários pagadores pode ser mais solvente que uma empresa maior com concentração em dois ou três clientes. O sistema bancário tradicional, sem acesso a dado detalhado e em tempo real, usa proxy: faturamento, garantia, tempo de relacionamento. O resultado é spread desalinhado com o risco real e capital que não chega em quem tem capacidade de pagar.
O open finance não resolve isso magicamente. Mas ataca o problema pelo dado: com histórico transacional verificável, fluxo de caixa real e comportamento de pagamento consolidado, um PSP ou fintech que opera crédito B2B pode construir modelo de risco proprietário. E precificar de forma mais precisa, o que significa ou taxa melhor para o bom pagador, ou margem maior para o PSP que identificou o risco certo.
O mercado de recebíveis em aberto no Brasil ultrapassa R$ 2 trilhões por ano, segundo dados da Febraban (2024). A fatia que passa por fintechs e PSPs ainda é pequena. O open finance é o que pode mudar essa proporção. Não por decreto, mas porque traz o dado que permite operar esse mercado com risco sob controle.
Regulação como vantagem competitiva
Uma última questão sobre o open finance que raramente aparece nas análises de tendência: o aumento de exigência regulatória não é só custo. É filtro.
PSPs com estrutura regulatória, governança e capital adequado se beneficiam quando o Banco Central eleva a barra. Os entrantes oportunistas que operavam no limite da regulação saem ou se consolidam com quem tem estrutura. O mercado se organiza em torno de quem tem condição de operar de forma sustentável.
Quem tem essa estrutura usa a regulação como diferencial comercial, não como fardo. A conversa com o cliente muda de "por que você é mais caro" para "por que você confia em quem não tem governança suficiente para passar na norma do Banco Central".
Perguntas frequentes sobre open finance B2B
O que é open finance e como ele se diferencia do open banking? Open finance é o modelo regulatório que amplia o open banking (antes restrito a dados bancários) para cobrir investimentos, seguros, câmbio e crédito. No Brasil, o Banco Central implementou o open finance em fases desde 2021, chegando a mais de 100 milhões de clientes conectados até 2025. Para PSPs e fintechs B2B, a diferença prática é que o open finance inclui dados de recebíveis, histórico de crédito e faturamento de PJs, informações centrais para operações corporativas.
Quais são as oportunidades concretas do open finance para quem opera pagamentos B2B? As principais: acesso a dados financeiros de clientes PJ para melhor precificação de crédito e antecipação de recebíveis; iniciação de pagamento como trilho alternativo ao boleto e cartão, com custo estrutural diferente; conciliação financeira automática entre banco, adquirente e ERP; e portabilidade de crédito como fator de aquisição e retenção de clientes corporativos quando entrar em operação em 2026.
Como funciona a iniciação de transação de pagamento (ITP) no open finance? ITP é uma habilitação do Banco Central que permite a uma instituição disparar transações diretamente na conta bancária do pagador, via Pix ou outros instrumentos, sem que o fluxo passe por gateway ou adquirente tradicional. Para fintechs B2B, isso abre cobrança recorrente direta e pagamentos a fornecedores automatizados com custo diferente do modelo de cartão. A habilitação tem requisitos técnicos e regulatórios específicos definidos pelo Banco Central.
O que muda com a portabilidade de crédito no open finance? Prevista para 2026, a portabilidade de crédito permite que uma empresa mude de instituição financeira levando seu histórico transacional compartilhado via open finance. Para PSPs que distribuem crédito, isso significa que clientes com bom histórico vão ter mais poder de negociação, e que retenção vai depender mais de relacionamento e produto do que de lock-in por desconhecimento de alternativa.
O que é embedded finance e como o open finance viabiliza esse modelo? Embedded finance é a oferta de serviços financeiros (crédito, pagamento, antecipação) dentro da jornada operacional de uma empresa não financeira. O open finance viabiliza porque fornece o dado transacional que permite precificação de risco e automação sem que o cliente precise sair do sistema que já usa. PSPs que operam como plataforma por trás desses produtos são os que escalam volume sem escalar estrutura comercial na mesma proporção.
Como a Barte usa open finance na operação? Na plataforma Barte, dados de open finance alimentam a visão consolidada de liquidação e conciliação financeira. Quando um cliente compartilha consentimento, a plataforma cruza automaticamente fluxo de caixa bancário, recebíveis de adquirente e calendário de liquidação, mostrando em uma tela o estado real de cada recebível. Essa integração é o que viabiliza decisões de antecipação e capital de giro baseadas em dado verificável, não em estimativa.
A janela não é eterna
O open finance no Brasil saiu de laboratório. Com R$ 15,3 bilhões em iniciação de pagamentos em 2025, 100 milhões de clientes conectados e 4 bilhões de chamadas semanais de API, está operando em escala. Não é hipótese. É dado.
Para PSPs e fintechs B2B, a janela está aberta. Mas janelas fecham. Quem construir produto sobre os dados hoje vai ter vantagem de histórico, de modelo e de relacionamento quando o mercado se consolidar. Quem esperar vai entrar num mercado com players já estabelecidos e vai precisar competir por preço em vez de por dado.
A pergunta não é se o open finance vai impactar operações B2B. Já está impactando. A pergunta é se o seu PSP está capturando isso como oportunidade ou absorvendo como custo de compliance regulatório.
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