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Concentração do mercado de adquirência: ameaça ou oportunidade para PSPs

Publicado em

1/6/2026

Concentração do mercado de adquirência: ameaça ou oportunidade para PSPs

Imagem:

Concentração no mercado de adquirência é o fenômeno pelo qual poucos players controlam a maior parte das transações com cartão, e no Brasil esse cenário passou de dois grandes credenciadores dominando quase 100% do volume em 2010 para mais de 350 adquirentes e subadquirentes ativos em 2025, segundo dados do setor.

Para o CEO de um PSP, a leitura imediata é: mais players, mais concorrência. Faz sentido. Só que está errada.

A proliferação de adquirentes no Brasil não fragmentou o mercado. Criou camadas. Quem opera nessas camadas não compete de frente com os grandes.

Diferencia.

São lógicas diferentes, com resultados diferentes.

O que já mudou

Em 2024, o setor movimentou R$ 4,18 trilhões em transações presenciais (crescimento de 12% sobre 2023) e mais R$ 960 bilhões em transações online (alta de 15,7%), segundo a ABECS. No primeiro trimestre de 2025, o volume chegou a R$ 1,15 trilhão.

Esse dinheiro não é processado por dois players. O Bacen abriu o mercado em etapas: interoperabilidade de bandeiras em 2010, novos credenciadores em 2014, explosão de subadquirentes a partir de 2020. O efeito prático é que capturar pagamentos com cartão deixou de ser monopólio e virou serviço contratável. Hoje qualquer empresa com volume relevante pode acessar a cadeia sem construir toda a estrutura do zero. Isso não existia há dez anos, e a maioria dos PSPs ainda não ajustou a estratégia para esse novo cenário.

Para um PSP, isso muda a equação de entrada. A barreira que antes era intransponível (homologação com bandeiras, estrutura de compliance, volume mínimo de processamento) agora você contrata de um terceiro, paga variável e concentra o time de produto no que diferencia de verdade: especialização de vertical, experiência do cliente, inteligência sobre o fluxo financeiro.

Três movimentos em curso

Acquiring as a Service virou real. Um PSP hoje pode lançar sua própria solução de pagamentos sem construir o back-end de captura. Contrata o processamento, conecta via API e foca no produto. Isso não é promessa de futuro. Nós da Barte vemos isso acontecer com PSPs que estavam presos tentando competir de frente com grandes adquirentes. A virada foi parar de construir o que já existe pronto para contratar.

Especialização por vertical passou a valer mais que volume. Com mais de 350 players, cobrar menos MDR não é vantagem sustentável. O PSP que domina o fluxo de pagamento de uma vertical específica (saúde, educação, agro, marketplace B2B) tem uma posição que o generalista não copia facilmente. Não é questão de capacidade de processamento: é de conhecer o negócio do cliente melhor do que qualquer outro.

White label abriu um modelo de receita que a maioria ainda não acessou. Fintechs, bancos digitais e plataformas B2B querem oferecer adquirência com a própria marca. Você deixa de ser cliente de uma adquirente e passa a ser o provedor de captura para terceiros que querem entrar no setor sem montar uma operação do zero. A mudança de posição tem impacto direto em receita e em margem, e é o movimento que menos PSPs exploraram até agora. É, de longe, o que mais aparece como oportunidade não capturada quando nós da Barte fazemos um diagnóstico com esses times.

O que a maioria ainda opera

Lógica de 2015: disputar taxa, crescer via volume, tratar compliance como custo puro. Essas apostas perderam validade. Mas a maioria dos PSPs que a gente acompanha ainda opera com elas.

Não é crítica. É o que fazia sentido quando o mercado tinha dois players. Hoje faz menos sentido, e o gap começa a aparecer no crescimento de receita.

O ajuste que falta: posicionamento de produto (para qual vertical e por quê), estrutura de receita (processamento mais serviços sobre a operação mais white label para terceiros) e a forma de contratar processamento. Não mais construir: integrar e concentrar esforço no que diferencia.

O que o P&L mostra

Para um PSP com R$ 50M/mês em volume, a diferença entre construir internamente ou contratar AaaS é de R$ 2M a R$ 5M de CAPEX antes de processar a primeira transação real. Isso inclui homologação com bandeiras, estrutura de compliance, captura e certificação PCI.

Contratar AaaS transforma esse CAPEX em custo variável atrelado ao volume. O payback, que antes saía de 36 meses ou mais, passa a seguir a lógica de custo variável por transação, bem mais próximo de SaaS do que de infraestrutura própria. Não é sempre a decisão certa: depende do tamanho da operação e da ambição de produto de longo prazo. Mas é uma conta que vale fazer antes de aprovar o budget do próximo ciclo.

Na plataforma white label da Barte, o PSP acessa captura e liquidação já homologadas com as principais bandeiras, com painel configurável com a própria marca. A integração é por API. O time técnico conecta os endpoints sem precisar gerenciar o back-end de captura.

Para PSPs que querem oferecer adquirência para os próprios clientes, repassando a marca branca para terceiros, nós da Barte viabilizamos esse modelo sem que o PSP precise solicitar licença de adquirente diretamente junto ao Bacen para os modelos mais comuns de operação.

O padrão que nós da Barte observamos com mais frequência: PSPs que saíram do modo "competir com adquirente" para o modo "usar a adquirente como camada" cresceram receita sem aumentar custo de processamento. Não é garantia, mas aparece com consistência suficiente para ser relevante.

Pergunta para testar onde você está: se um cliente seu pedisse hoje uma solução com a marca dele, em quanto tempo você colocaria isso no ar? Se a resposta for "meses" ou "ainda não tenho", essa é a conta que vale fazer primeiro.

Veja como funciona na prática: whitelabel.barte.io

Perguntas frequentes sobre adquirentes no Brasil

O que é concentração no mercado de adquirência? Concentração no mercado de adquirência é o fenômeno pelo qual poucos players controlam a maior parte das transações com cartão. No Brasil, esse cenário passou de dois credenciadores dominando quase 100% do volume em 2010 para mais de 350 adquirentes e subadquirentes ativos em 2025, resultado direto das políticas de abertura do Banco Central ao longo da última década.

Qual é o tamanho do mercado de adquirência no Brasil em 2025? Em 2024, o setor movimentou R$ 4,18 trilhões em transações presenciais e R$ 960 bilhões em transações online, segundo a ABECS. No primeiro trimestre de 2025, o volume chegou a R$ 1,15 trilhão. O crescimento está acima de 10% ao ano de forma consistente.

O que é Acquiring as a Service (AaaS)? AaaS é o modelo em que uma empresa contrata toda a estrutura de adquirência (captura, liquidação, conexão com bandeiras, compliance) de um provedor especializado, sem construir essa estrutura internamente. Para PSPs, significa lançar soluções de pagamento com custo inicial menor e time concentrado no produto, não no processamento.

Qual a diferença entre adquirente e subadquirente? O adquirente tem licença própria junto às bandeiras e ao Bacen para processar transações diretamente. O subadquirente opera sobre a estrutura de um adquirente, atuando como intermediário entre o estabelecimento e a cadeia de pagamentos. A diferença principal está na responsabilidade regulatória e no custo de operação, e define que tipo de licença e capital você precisa ter.

Como um PSP pode oferecer adquirência com a própria marca? Via modelo white label: o PSP contrata um provedor que processa as transações em back-end enquanto mantém a marca e o relacionamento com o cliente final. Na plataforma white label da Barte, o PSP acessa painel configurável, APIs de integração e liquidação personalizada, sem precisar de licença de adquirente própria junto ao Bacen para os modelos mais comuns.

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