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Banking as a Service no Brasil: como funciona, quem oferece e como avaliar

Publicado em

3/6/2026

Banking as a Service no Brasil: como funciona, quem oferece e como avaliar

Imagem:

Banking as a Service é o modelo pelo qual uma empresa não financeira acessa infraestrutura bancária regulada via API e oferece serviços como contas, pagamentos, crédito e credenciamento aos seus clientes, sem precisar obter autorização própria junto ao Banco Central do Brasil.

Essa distinção importa porque ela separa o que BaaS é do que costuma ser vendido como. BaaS não é atalho regulatório, não é terceirização de compliance. É uma decisão de arquitetura financeira com impacto direto em tempo de chegada ao mercado, capital comprometido e modelo de receita. E quem toma essa decisão sem ter feito a conta geralmente descobre o custo real depois que já é difícil voltar.

Para ficar claro: uma empresa que decide montar infraestrutura financeira própria precisa, no mínimo, de R$1 milhão em capital realizado para obter licença de Instituição de Pagamento, mais 12 a 18 meses de processo de autorização no Banco Central, mais a estrutura de governança, compliance e tecnologia para operar. Uma empresa que usa BaaS pode estar em produção em 3 meses, com capital inicial próximo de zero, operando sobre a licença do parceiro. A escolha não é sobre conveniência. É sobre quanto de capital e tempo a empresa pode realmente comprometer antes de gerar receita.

O que é BaaS, de fato

A confusão mais comum é tratar BaaS como sinônimo de embedded finance.

São conceitos diferentes que dependem um do outro, e misturá-los leva a escolher o parceiro errado para o problema certo.

Embedded finance é o produto final. O que o cliente do cliente vê: uma conta embutida num aplicativo de logística, uma linha de crédito dentro de um ERP, um cartão branco num programa de fidelidade. É a camada de experiência.

Banking as a Service é o que fica por baixo. A licença regulatória, a conectividade com o sistema financeiro nacional, a tecnologia de core banking exposta via API. É a camada técnica e regulatória que torna o embedded finance possível.

Sem BaaS, embedded finance em escala não existe. Sem embedded finance como proposta de valor, o BaaS vira infraestrutura sem destino. Os dois formam uma cadeia: o BaaS é o que o parceiro entrega, o embedded finance é o que a empresa construtora entrega para seu cliente final.

Aliás, tem um terceiro conceito que entra nessa cadeia e que a maioria trata como sinônimo de tudo: o finance as a feature. Nesse modelo, um SaaS B2B não lança um produto financeiro separado. Ele adiciona serviços financeiros como funcionalidade do produto principal. Um SaaS de gestão de frotas que incorpora um cartão de combustível para motoristas. Um ERP agrícola que integra adiantamento de safra. O serviço financeiro não é o negócio principal, mas é onde está a margem que o SaaS puro nunca vai ter. Dados do mercado americano mostram que SaaS com embedded finance eleva o ARPU entre 2 e 4 vezes em relação ao SaaS puro. No Brasil, esse movimento está no começo da curva.

A regulamentação de novembro de 2025

Por dez anos, o BaaS no Brasil funcionou numa zona cinza.

Havia consenso de que era possível, havia operações rodando, mas não havia marco regulatório específico. Em novembro de 2025, isso mudou.

A Resolução Conjunta nº 16, publicada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional, criou o primeiro arcabouço regulatório específico para Banking as a Service no Brasil. Ela define com precisão o escopo de serviços permitidos, as responsabilidades de cada parte e os prazos de adequação.

Os pontos centrais da norma:

O escopo autorizado inclui abertura e manutenção de contas, serviços de credenciamento (adquirência) e operações de crédito. A responsabilidade perante o regulador é indivisível e recai sobre o provedor BaaS, que detém a licença. A empresa usuária do serviço opera dentro de um contrato de prestação de serviços, mas não responde diretamente ao Banco Central.

A norma também proíbe o uso de contas bolsão, um modelo que algumas operações usavam para concentrar recursos de clientes antes de repassar. Com a proibição, o fluxo financeiro precisa ir diretamente do cliente ao provedor BaaS, sem parada intermediária na conta do usuário do serviço.

O prazo para adequação total é 31 de dezembro de 2026. Operações que ainda não têm um plano documentado de adequação estão correndo um risco que vai aparecer no pior momento.

O mercado: onde o Brasil está agora

O mercado de BaaS no Brasil foi avaliado em US$686,7 milhões em 2024, com projeção de crescimento a 10,7% ao ano até 2035, quando deve atingir US$2,1 bilhões (Market Research Future, 2024).

Quando se olha para a América do Sul, o Brasil representa 68,9% do volume. O mercado regional atingiu US$500 milhões em 2026 e deve crescer a 23,7% ao ano até 2031, segundo a Celcoin/IMIR. A concentração no Brasil não é coincidência. É resultado da combinação de PIX, open finance e um ambiente regulatório que favorece fintechs desde 2018.

O embedded finance, que é o produto construído sobre o BaaS, tem escala ainda maior. O mercado brasileiro foi estimado em US$14,16 bilhões em 2025 (Brazil Embedded Finance Databook). Projeções mais recentes apontam para US$18 bilhões ou mais.

Esses números têm uma implicação direta para quem está avaliando a decisão de construir ou comprar infraestrutura financeira. O tamanho de mercado já justifica o investimento. A pergunta não é mais se vale a pena entrar. A pergunta é quando e com qual arquitetura.

A conta que o CFO ignora antes de decidir

Boa parte dos CFOs que a gente acompanha nessa decisão chega com a premissa de que ter licença própria é questão de tempo e que BaaS é solução temporária. Isso está errado na maioria dos casos.

Vamos à matemática.

Rota licença própria

Capital mínimo para Instituição de Pagamento (categoria de menor exigência): R$1 milhão. Para Sociedade de Crédito Direto com capacidade de oferecer crédito, as exigências de patrimônio de referência são maiores e variam conforme o escopo.

Prazo de autorização: 12 a 18 meses, sem garantia de aprovação. Durante esse período, o produto financeiro não pode operar.

Custo de tecnologia: core banking próprio ou licenciado, conectividade com câmaras (Pix, TED, boleto, SITRAF), integração com bandeiras e adquirentes. Estimativas de mercado situam esse custo entre R$500 mil e R$3 milhões na fase inicial, dependendo do escopo.

Estrutura operacional obrigatória: diretoria de compliance regulatório, auditoria interna, controles de prevenção à lavagem de dinheiro, sistema de registro de reclamações, relatórios periódicos ao Banco Central. Não dá pra pular nada disso.

Rota BaaS

Tempo para o produto estar em produção: 3 meses em média para integração via API e lançamento.

Capital comprometido na entrada: próximo de zero. Os custos são variáveis, atrelados ao volume transacionado.

Responsabilidade regulatória: pela Resolução 16/2025, a responsabilidade perante o Banco Central é do provedor BaaS.

A comparação que a maioria ignora

Se o produto teria sido lançado em março com BaaS e só em setembro com licença própria, os seis meses de receita perdida entram na conta. Para um produto com R$2 milhões de receita mensal projetada, o custo de oportunidade desse atraso é R$12 milhões. Não está no modelo do CFO que avalia só o custo da licença.

Os produtos que o BaaS viabiliza

O BaaS não é produto em si. É plataforma. O que a empresa constrói sobre ele é que define o valor para o cliente final.

Os modelos mais relevantes para o contexto B2B brasileiro:

Embedded payments no produto

Embedded payments é a integração de pagamentos diretamente na jornada do produto, de forma que o cliente processa uma transação sem sair da aplicação principal.

Para um ERP de gestão, isso significa que o pagamento a fornecedor acontece dentro do próprio sistema, sem redirect para portal bancário externo. Para um marketplace B2B, o comprador paga e o split entre plataforma e seller acontece em milissegundos.

Não é só sobre experiência. A redução de fricção no checkout tem impacto direto em conversão. Para produtos B2B com ticket médio alto, cada ponto percentual de conversão recuperado aparece no resultado.

Embedded lending e o ativo invisível

Embedded lending é a oferta de crédito dentro da jornada do produto, usando os dados transacionais da própria plataforma como base para scoring.

Uma plataforma de gestão de recebíveis que conhece o histórico de pagamentos dos clientes de uma empresa tem dados melhores para concessão de crédito do que qualquer banco que avalia o mesmo cliente a partir de um cadastro estático. Esse é o ativo que o embedded lending monetiza, e que a maioria das plataformas ainda está deixando parado.

Pela Resolução 16/2025, operações de crédito estão dentro do escopo autorizado para BaaS. Uma empresa pode oferecer antecipação de recebíveis ou capital de giro para seus clientes, operando sobre a licença de um parceiro com SCD ou licença bancária.

Embedded finance para marketplaces

Marketplaces são o caso de uso mais desenvolvido de embedded finance no Brasil. A combinação de split de pagamento automatizado, conta digital para sellers, antecipação de recebíveis e relatórios financeiros integrados forma uma camada financeira completa que fideliza o seller e gera receita adicional para a plataforma.

Um marketplace B2B que cobra comissão sobre o GMV mas não monetiza o fluxo financeiro do seller está deixando entre 15% e 30% de receita incremental sobre o GMV na mesa. Essa receita vem de MDR sobre as transações dos sellers, spread em antecipação de recebíveis e tarifas de conta. O marketplace que só cobra comissão está ignorando pelo menos três outras linhas de receita.

PIX via API B2B

PIX via API B2B é a integração do Pix diretamente na infraestrutura de pagamentos de uma empresa, com recebimentos, pagamentos a fornecedores e conciliação automática em tempo real.

As características são objetivas: liquidação em D+0, disponibilidade 24h e 7 dias por semana, custo por transação inferior ao TED, automação via chaves e QR Code dinâmico. Para empresas com alta frequência de transações entre contas jurídicas, o Pix via API não é upgrade. É substituição que não justifica mais postergar.

APIs de pagamento em produção real

Toda empresa de infraestrutura financeira tem uma página de documentação bem escrita. A qualidade da API em produção, com volume real, é outra conversa.

A gente vê isso com frequência: empresa faz avaliação de parceiro, sandbox funciona bem, integração sobe, volume cresce, e aí aparecem os problemas que o sandbox nunca simulou. Curioso como o ambiente de testes sempre funciona. É o ambiente de produção que tem opinião própria.

Os quatro critérios que separam uma API de pagamento confiável de uma que funciona bem em ambiente controlado:

Latência em produção: o referencial de mercado é abaixo de 200ms por chamada. APIs que excedem esse limite de forma consistente criam fricção que aparece na experiência do usuário final, não no dashboard do parceiro.

SLA com penalidade contratual: uptime de 99,9% declarado em landing page é marketing. Uptime de 99,9% com penalidade contratual por descumprimento é compromisso. A diferença é quem paga quando o sistema cai.

Webhooks nativos, não polling: a notificação de eventos assíncronos (pagamento confirmado, chargeback aberto, seller bloqueado) precisa chegar via webhook em tempo real. APIs que forçam polling criam carga desnecessária na infraestrutura do cliente e introduzem latência operacional.

Sandbox fiel ao ambiente de produção: o ambiente de testes precisa simular rejeições, timeouts e estados intermediários. Um sandbox que só aprova transações não prepara a integração para o que acontece quando o volume sobe.

Pergunta para levar à reunião de avaliação: você consegue me mostrar agora, em sandbox, uma transação em timeout, uma rejeitada por saldo insuficiente e uma presa em estado pendente por mais de 5 minutos? Com o código de erro de cada uma e o fluxo de retry recomendado? Se a resposta exigir mais de 10 minutos de preparação, a API não tem maturidade de tratamento de exceções.

Orquestração de pagamentos

Orquestração de pagamentos é a camada que gerencia roteamento de transações entre múltiplos provedores, aplica regras de fallback quando um provedor rejeita, e executa retry com lógica inteligente, tudo em tempo real.

Para uma PSP ou fintech com volume relevante, a diferença entre operar com orquestração e sem ela é de 2 a 5 pontos percentuais na taxa de aprovação. Em R$50 milhões de TPV mensal, 2pp de aprovação adicional equivalem a R$1 milhão de receita que antes estava sendo rejeitada. Não é feature interessante. É resultado financeiro direto.

O conceito de orquestração financeira vai além dos pagamentos. Para um CFO de fintech, orquestração financeira significa ter conciliação bancária, antecipação de recebíveis, roteamento de pagamentos e relatórios operando como fluxo único automatizado, sem que a equipe financeira precise costurar sistemas diferentes manualmente toda semana. É o que separa a operação que escala da operação que contrata mais gente para compensar ineficiência.

Automação financeira com IA: o que já funciona

A automação financeira com inteligência artificial não é mais tendência. Em operações de pagamento e conciliação com volume relevante, a IA já está em produção.

Conciliação bancária com IA

Sistemas tradicionais de conciliação atingem taxas de match automático em torno de 95%. Sistemas com aprendizado de máquina, treinados nos padrões de cada operação, chegam a taxas de 99,8% de match automático. O 0,2% restante vai para revisão humana.

Para uma operação com R$30 milhões de TPV mensal, a diferença entre 95% e 99,8% de match automático é a redução de aproximadamente 240 transações que precisam de revisão manual por dia para cerca de 2. A equipe para de fazer trabalho de robô e passa a trabalhar só nas exceções que realmente precisam de julgamento.

Machine learning em antifraude

Sistemas de antifraude com machine learning analisam centenas de variáveis comportamentais em tempo real para cada transação: padrão de horário, localização, histórico do device, comportamento de compra, relação entre valor e perfil do cliente.

O resultado documentado é a redução de falsos positivos de aproximadamente 2% para 0,3%, sem aumento na taxa de fraude aprovada. Em R$50 milhões de TPV, reduzir falso positivo de 2% para 0,3% libera R$850 mil por mês em transações que antes estavam sendo recusadas incorretamente. Dois impactos simultâneos: menos fraude aprovada e menos receita legítima bloqueada.

Detecção preditiva de chargebacks com IA

A IA aplicada à detecção de chargebacks opera de forma preditiva. Modelos treinados em padrões históricos conseguem identificar transações com alta probabilidade de contestação com até 72 horas de antecedência em relação ao prazo de abertura pelo portador do cartão.

Essa janela importa porque permite ação preventiva: contato com o cliente, confirmação de entrega, ajuste de política de reembolso. O chargeback que a IA preveniu custa R$0. O que não foi previsto custa o valor da transação, mais a multa da bandeira (média de R$100 por ocorrência), mais o custo de defesa.

IA em gestão de recebíveis

Modelos de previsão de liquidação treinados nos padrões de cada adquirente e produto conseguem prever com 97% de acurácia quando cada recebível vai ser liquidado (dado de operações em produção).

Isso muda o cálculo de antecipação: em vez de antecipar por precaução ou desconhecer o prazo exato, a empresa decide com data prevista confirmada. A antecipação de recebíveis vira ferramenta cirúrgica, não cobertor de segurança com custo embutido desnecessário.

Open finance mais IA para PSPs

O open finance no Brasil chegou à fase 4 de implementação. Para PSPs e fintechs B2B, três casos de uso já estão em produção:

Scoring de crédito em 4 horas. Com acesso ao histórico transacional do solicitante via open finance, modelos de IA geram score de crédito em horas, não em dias. Isso é o que torna o embedded lending viável em escala.

KYC automático. Dados de open finance combinados com fontes públicas (Receita Federal, SERPRO) permitem onboarding de PJ com validação automática de porte, histórico de faturamento e vínculos societários. O processo que levava dias passa para minutos.

Conciliação em tempo real via extrato API. O acesso direto ao extrato bancário via open finance elimina importação manual de OFX ou CSV. O sistema concilia no momento em que cada lançamento ocorre na conta.

PSPs que ainda não têm estratégia clara de open finance para os próximos 24 meses vão operar com desvantagem estrutural em custo e velocidade em relação a quem já integrou. Não é opinião. É a direção do mercado.

O que vem nos próximos 36 meses

Três movimentos estão em andamento simultâneo no mercado de pagamentos B2B brasileiro:

DREX e contratos programáveis

O DREX é a moeda digital do Banco Central do Brasil. Está em fase de piloto com 16 instituições. Diferente do Pix, que é sistema de liquidação de valores, o DREX é infraestrutura de moeda programável: contratos que executam transferências condicionadas a eventos.

Para pagamentos B2B, o DREX abre casos de uso que o Pix não suporta: pagamento automático ao fornecedor quando a nota fiscal é aprovada no sistema do comprador, liberação de crédito condicionada à entrega do ativo como garantia, liquidação DvP de operações de câmbio. O real digital funciona como infraestrutura de execução de contratos financeiros, não como mais um meio de pagamento.

Tokenização de recebíveis

A tokenização de recebíveis transforma um direito creditório (nota a receber, crédito de cartão, duplicata) em ativo negociável em mercado secundário.

Para fintechs e PSPs, isso muda o modelo de antecipação: em vez de antecipar junto a um fundo ou banco com taxa fixada, o recebível tokenizado pode ser negociado com precificação dinâmica. O detentor tem liquidez imediata sem comprometer o custo com spread de antecipação de balcão.

A infraestrutura regulatória para tokenização de recebíveis está em construção no Brasil, com iniciativas do Banco Central no contexto do DREX e do mercado de capitais. O futuro dos pagamentos B2B no Brasil passa pela convergência entre open finance, DREX e tokenização, criando um mercado onde qualquer recebível tem liquidez imediata.

Cinco critérios que eliminam parceiros BaaS

A escolha do parceiro BaaS é uma das decisões mais consequentes na arquitetura financeira de uma empresa. Um parceiro com limitações técnicas ou regulatórias descobertas depois da integração causa retrabalho caro e interrupção de produto no momento em que o crescimento estava acontecendo.

Nós da Barte acompanhamos CFOs e CEOs de PSP nesse processo de avaliação. Os cinco critérios que eliminam candidatos antes de qualquer negociação comercial:

1. Tipo de licença e escopo real

A Resolução 16/2025 tornou isso mais claro do que nunca: o escopo de serviços depende da licença que o provedor detém. Uma IP autorizada para pagamentos não pode oferecer crédito. Uma SCD pode oferecer crédito direto, mas não emite cartão. Confirme se a licença do parceiro cobre todos os serviços que o produto vai precisar, incluindo os que você vai querer lançar em 18 meses.

2. SLA contratual com penalidade

Já foi mencionado antes, mas vale repetir no contexto de avaliação de parceiro: promessa de uptime sem penalidade não é SLA. Exija cláusula contratual com compensação definida por descumprimento.

3. Suporte nativo a split e operações multipartes

Para plataformas com múltiplos recebedores, o split precisa ser nativo, não implementado como camada sobre a API de pagamento. Pergunte como a plataforma trata split com rejeição parcial: se um dos sellers tiver conta bloqueada, o que acontece com os demais?

4. Custo total, não só MDR

O MDR contratado não é o custo real. Os componentes que ficam escondidos (float, rejeições, chargebacks, tarifas de conciliação) podem adicionar entre 30% e 50% ao custo declarado. Exija demonstração do custo total em uma operação similar à sua, com todos os componentes abertos, não estimados.

5. Plano de adequação à Resolução 16/2025

Com prazo até dezembro de 2026, parceiros que ainda não têm plano documentado de adequação representam risco regulatório para a empresa contratante. Solicite o plano. Se não houver um, o parceiro não está maduro para o ambiente regulatório atual.

Especialistas alocados no seu time

Existe um estágio entre usar infraestrutura de BaaS e montar operação financeira própria que a maioria das empresas não planeja: o momento em que a complexidade operacional supera a capacidade da equipe interna.

É o ponto em que o volume de transações cresceu, o produto financeiro se tornou crítico para o negócio, e a empresa precisa de profissionais com experiência em operações financeiras reguladas, mas não quer contratar uma área inteira antes de validar o modelo.

Nós da Barte operamos com um modelo de especialistas alocados para exatamente esse estágio. A operação fica dentro do time do cliente, com profissionais que conhecem toda a infraestrutura de pagamentos e têm autonomia para agir, não apenas para orientar.

Acesse fde.barte.io para entender como funciona o modelo e avaliar se faz sentido para o estágio da sua operação.

Perguntas frequentes sobre BaaS no Brasil

O que é Banking as a Service? Banking as a Service é o modelo pelo qual uma empresa não financeira acessa infraestrutura bancária regulada via API e oferece serviços como contas, pagamentos, crédito e credenciamento aos seus clientes, sem precisar de licença própria junto ao Banco Central. O parceiro BaaS detém a licença e responde perante o regulador. A empresa contratante constrói o produto sobre essa infraestrutura.

Qual é a diferença entre BaaS e embedded finance? BaaS é a infraestrutura: licença regulatória, conectividade com o sistema financeiro nacional e tecnologia de core banking exposta via API. Embedded finance é o produto construído sobre essa infraestrutura, ou seja, o serviço financeiro que o cliente final vê dentro de uma plataforma não financeira. Um não funciona sem o outro, mas são camadas diferentes com responsabilidades diferentes.

O que mudou com a Resolução Conjunta 16/2025? A Resolução 16, publicada em novembro de 2025 pelo Banco Central e pelo CMN, criou o primeiro marco regulatório específico para BaaS no Brasil. Define o escopo de serviços permitidos (contas, pagamentos, crédito, credenciamento), estabelece que a responsabilidade perante o Banco Central é indivisível e recai sobre o provedor BaaS, proíbe contas bolsão e estabelece prazo de adequação até 31 de dezembro de 2026.

Quanto custa montar infraestrutura financeira própria versus usar BaaS? O caminho de licença própria exige capital mínimo de R$1 milhão para Instituição de Pagamento (menor categoria), prazo de 12 a 18 meses de autorização e custo de tecnologia entre R$500 mil e R$3 milhões na entrada. O caminho BaaS tem custo inicial próximo de zero, time-to-market de 3 meses e custos variáveis. O custo de oportunidade dos meses de espera pela licença própria é o fator mais frequentemente ignorado no cálculo.

O que é embedded lending e como funciona via BaaS? Embedded lending é a oferta de crédito embutida dentro de um produto, usando dados transacionais da própria plataforma para scoring e análise. Via BaaS, uma empresa pode oferecer antecipação de recebíveis ou capital de giro para seus clientes, operando sobre a licença de um parceiro com SCD ou banco. A Resolução 16/2025 inclui operações de crédito no escopo permitido para BaaS.

Fontes: Market Research Future (Brazil Banking as a Service Market, 2024); Celcoin/IMIR Research; Brazil Embedded Finance Databook 2025 (Yahoo Finance); Banco Central do Brasil, Resolução Conjunta nº 16, novembro de 2025.

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