Como a Buser transformou um processo de 30 horas em segundos.
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ItaúA Buser nasceu como a plataforma que juntou passageiro e ônibus fretado, vendendo viagem sem operar frota própria. Depois entrou na operação, comprou as empresas de transporte e passou a rodar a própria malha.
Em maio de 2026, a Buser adquiriu a Transportes Santa Maria. Com ela vieram mais linhas, garagens, guichês e uma operação de venda que caiu inteira no colo do time financeiro.
Comprar uma empresa aumenta a complexidade operacional de um dia para o outro: chegam sistemas que não conversam, rotinas que só existem na cabeça de quem as executa e processos que precisam ser redesenhados em movimento. Na Santa Maria, um dos primeiros controles a sentir esse peso foi provar que cada passagem vendida virou dinheiro na conta.
Mais da metade das operações do mês era PIX, e o PIX chega sem rastro. O cartão já fechava com o relatório da adquirente. Amarrar cada crédito de PIX a um bilhete era trabalho manual, e construir essa amarração consumia 30 horas por mês da analista da tesouraria.
O cartão fecha com o relatório da adquirente. O PIX de guichê era o que sobrava para a mão.
Entre o guichê e a conta, o nome muda, a data escorrega e o valor deixa de ser único. Sem nenhum dos três, não sobra chave para amarrar o crédito ao bilhete, e a venda por guichê deixa de ser visível.
O pai pagou a passagem do filho. O nome do crédito não existe em nenhum bilhete.
Escrito como se ouve no balcão. Para a busca literal da planilha, são duas pessoas.
Um crédito único pagando quatro bilhetes. Nenhum relatório mostra a relação.
O PIX da sexta cai na segunda. Pela data da venda, a procura acontece no dia errado.
Montamos um motor que testa cada transação contra uma cascata de parâmetros-chave: CPF, nome, valor, data e forma de pagamento. A engine desce na ordem do critério mais restritivo ao mais tolerante e, no primeiro parâmetro que confirma o par bilhete-crédito, grava a conciliação e registra qual critério fechou o caso. O que desce todos os degraus sem confirmação vai para revisão humana, com a sugestão já escrita ao lado.
O agente escreve na mesma planilha que a tesouraria já usava, sem tela nova para aprender. Muda só o caminho que o dado percorre até chegar lá.
Dez vezes mais agências e dez vezes mais volume não pedem dez vezes mais gente na tesouraria. A próxima aquisição entra na mesma cascata, com o mesmo time.
Passageiro que embarcou sem bilhete, venda de balcão que nunca virou depósito, conta paga por fora do caixa. Antes essas diferenças sumiam no meio de 400 linhas. Agora saem marcadas, com data e valor.
A mesma rodada que concilia calcula quanto cada parceiro tem a receber na janela, com a trilha de como o número foi montado. Dá para conferir sem depender da memória de quem combinou.
Desenvolvemos o agente de conciliação de PIX em duas semanas, num projeto pensado para durar um mês. O prazo que sobrou foi usado para cobrir a conciliação inteira: dentro dos mesmos trinta dias entraram cartão, comissões e repasses.
Com a API do TotalBus ligada, os bilhetes passam a ser lidos todo dia. A granularidade por guichê deixa de esperar o fechamento: dá para ver como as vendas estão fluindo enquanto acontecem.
O dado diário também abre a pergunta que a planilha nunca pôde responder: o que foi vendido contra o que de fato embarcou.